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Em 2022,889casino - ocorreram 65 conflitos no campo em Pernambuco, envolvendo 31.056 pessoas. O número de pessoas afetadas por esse tipo de violência é maior que a população de 120 dos 184 municípios do estado. Os dados fazem parte da publicação Conflitos no Campo Brasil 2022, que traz um raio-x dos conflitos fundiários em todo o país. Governo de Rouanet

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Mais uma vez, a zona da mata desponta como a região mais conflituosa do estado, reunindo 52,3% do total de ocorrências, seguida pela Região Metropolitana do Recife, com 20%, Agreste, com 18,5%, e Sertão, com 9,2%. Para entender a escalada de conflitos na zona da mata pernambucana, Brasil de Fato Pernambucoconversou com Giovani Leão, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Confira:

Brasil de Fato Pernambuco: Anualmente a CPT lança o Relatório de Conflitos no Campo no Brasil, com dados qualificados sobre os conflitos rurais no país. Qual é a importância de as pessoas conhecerem esses dados?

Giovani Leão: Historicamente no Brasil e principalmente aqui no Nordeste, o campo, principalmente os agricultores e agricultoras produtoras de alimentos de verdade, sempre foram invisibilizados. Toda a população brasileira, principalmente que mora na cidade, sempre quer ter bons alimentos, saudáveis, sem agrotóxicos, de boa qualidade, mas nunca pensam naqueles que produzem.

O caderno de conflitos, esse documento que a CPT lança anualmente vem mostrar que os agricultores, agricultoras comunidades camponesas, indígenas, quilombolas e posseiros que produzem esse alimento que chega na mesa de todo cidadão brasileiro não tem uma vida fácil. Tem uma vida de ameaças, de direitos e desrespeitados, uma vida sofrida. Muitas vezes, não é reconhecido pelos governos municipais, estaduais, até pelo governo federal, não é respeitado pelos políticos e empresários.

Há uma violência grande com esses agricultores, então o caderno vem mostrar para a população brasileira que essa população vem sofrendo muito, vem sendo assassinada e expulsa da terra. Mostrando isso, denunciamos o que está acontecendo e mostramos para a sociedade e cobramos justiça das autoridades.

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Segundo o relatório, foram registrados 2.018 ocorrências em todo o território nacional em 2022, o que corresponde a uma média de um conflito a cada quatro horas. O que esses dados nos dizem sobre a força do agronegócio no Brasil?

Esses dados nos revelam que o agronegócio de pop não tem nada. É um agronegócio que vem destruindo a agricultura familiar. Porque sabemos que a principal força do agronegócio é a produção de commodities: carne bovina, soja, milho, trigo, algodão, laranja, mas tudo isso para exportação, pouquíssimas coisas abastecem a mesa do brasileiro e da brasileira. Então esses conflitos, um conflito a cada quatro horas, nos mostram o quanto é forte o agronegócio, o quanto o agronegócio tem poder político, econômico e de articulação, e ao mesmo tempo mostra o quanto a agricultura familiar e a produção camponesa é desvalorizada no país.

Até o ano passado se falava em 33 milhões de pessoas passando fome, então é a grande contradição do Brasil. Temos de um lado, 33 milhões de pessoas passando fome e do outro, o agronegócio fazendo propaganda de que é o maior produtor de alimento do mundo, sendo que não consegue nem alimentar o seu próprio país, mas consegue exportar. Então isso nos mostra o quanto o agronegócio é poderoso economicamente e o quanto é violento quando ataca os pequenos agricultores, os territórios indígenas, os territórios quilombolas.

Em Pernambuco, foram registradas 65 ocorrências envolvendo 31.056 pessoas e a zona da mata segue como a mais conflituosa do estado, com 52% do total de ocorrências. A que se deve essa violência na zona da mata pernambucana?

É interessante essa pergunta, porque a cana-de-açúcar está deixando de ser a principal produção aqui na zona da mata, porque muitas usinas fecharam, algumas abriram falência e temos aí uma grande quantidade de terras ociosas, não produzindo nada. O que está acontecendo é que as usinas estão arrendando as terras ou colocando as terras em leilões. E essas terras estão sendo arrematadas ou arrendadas para grandes empresas pecuaristas, criadores de gado de grandes extensões, a pecuária extensiva.

Porque a zona da mata é rica em água, em terra, capim e outros materiais que servem para alimentação do gado. Porque tantos pecuaristas estão vindo para a zona da mata? Porque no município de Canhotinho, aqui no Agreste, já na fronteira com a mata sul foi inaugurado um frigorífico da Masterboi que no projeto inicial tem a capacidade de abater 500 cabeças de gado por dia.

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